Muito antes de existir qualquer comunidade ligada à Arquidiocese no Brasil, já existia uma história que atravessava séculos e continentes.
Antioquia foi uma das maiores cidades do mundo romano e tornou-se um dos principais centros do cristianismo nascente.
Segundo a tradição da Igreja e o testemunho de antigos escritores cristãos, foi em Antioquia que o Apóstolo São Pedro exerceu seu ministério episcopal antes de seguir para Roma.
Por essa razão, Antioquia é reconhecida como uma Sé Apostólica, diretamente ligada à missão dos apóstolos.
Historiadores confiáveis, como Orígenes (256 d.C.), Eusébio de Cesareia (340 d.C.), São João Crisóstomo (407 d.C.), São Jerônimo (420 d.C.) e São Severo de Antioquia (538 d.C.), concordam unanimemente que o apóstolo Pedro foi o primeiro bispo — ou patriarca — de Antioquia, na Síria, estabelecendo ali sua sé apostólica.
Eusébio de Cesareia afirma: “No quarto ano após a Ascensão de Cristo, Pedro pregou a palavra do Senhor em Antioquia, a grande capital, e tornou-se seu primeiro bispo.” São Jerônimo dedicou o dia 22 de fevereiro, em seu calendário anual de festas, à fundação da Sé de São Pedro Apóstolo em Antioquia e em Roma — data que a Igreja Romana continua celebrando até hoje.
Essa sucessão apostólica permanece como um dos pilares da identidade da Igreja Siríaca Ortodoxa de Antioquia. A fé que hoje é celebrada não é compreendida como uma criação recente, mas como continuidade da fé transmitida pelos apóstolos.
Inácio de Antioquia — também chamado O Teóforo (“o Portador de Deus”) e, em fontes siríacas ortodoxas, apelidado de Nurono (“o Iluminador”) — foi, segundo o historiador Eusébio de Cesareia, o terceiro bispo da Igreja de Antioquia, entre os anos 68 e 107.
Um dos padres apostólicos — os mais antigos pais da Igreja, que viveram no primeiro século e conheceram os próprios apóstolos —, Inácio desempenhou papel crucial na história do cristianismo e na tradição eclesiástica. Antes de sofrer o martírio em Roma, escreveu uma série de cartas às igrejas locais da Grécia e da Ásia, nas quais combatia os movimentos heterodoxos que se espalhavam entre os cristãos.
Em seus escritos, ressaltou a unidade e a universalidade dos cristãos ortodoxos — sendo o primeiro a empregar as expressões “Igreja Católica” e “Cristianismo”. Seu testemunho permanece como uma das mais importantes vozes do cristianismo dos primeiros séculos.
São Pedro funda a Igreja em Antioquia. Os discípulos são chamados cristãos pela primeira vez. A fé apostólica começa a ser transmitida.
Discípulo da geração apostólica, Santo Inácio escreve cartas que se tornam pilares da teologia cristã sobre a Eucaristia, a unidade e o episcopado.
Grande patriarca e teólogo, São Severo de Antioquia preserva e aprofunda a tradição ortodoxa oriental. Sua influência permanece viva na liturgia e teologia da Igreja.
A mesma fé recebida dos apóstolos continua viva na liturgia, nos sacramentos, na oração e nas comunidades que formam a Arquidiocese Siríaca Ortodoxa de Antioquia no Brasil.
A Arquidiocese Siríaca Ortodoxa de Antioquia existe para manter viva essa herança apostólica em território brasileiro.
Sua missão não é apenas recordar uma história antiga, mas permitir que essa tradição continue sendo vivida, celebrada e transmitida às novas gerações.
Assim, a ligação entre Antioquia e o Brasil não é apenas histórica. Ela é espiritual. A mesma fé recebida dos apóstolos continua viva na liturgia, nos sacramentos, na oração e na vida das comunidades que hoje fazem parte desta Arquidiocese.
A mesma fé recebida dos apóstolos continua viva na liturgia, nos sacramentos e na vida das comunidades.
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